quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Inesperadamente


O corpo se abre a um novo amor
 Fato esperado ocorre inesperadamente
 Me vejo perdidamente apaixonada

E aquelas palavras
Antes vazias
Tornam-se o todo

E aquela voz
Antes ignorada
Transforma-se

E ver
Falar
Ouvir

O Tudo
Muda


E o que antes nada era
passa a ser necessidade

Alimento para o corpo
Acalento para a alma

terça-feira, 11 de junho de 2013

Corpos

Para entender este curto ensaio, necessito que entendam primeiro minha visão. Pois sim, creio que o ato sexual e tudo que o compõe são troca de energia entre corpos.  Entretanto, nem todos os corpos são compatíveis. Há troca de energias entre corpos incompatíveis sim, mas nada se compara a encontrar aquele corpo que se atrai ao seu.

Antes mesmo do toque, do beijo, do sexo, quando corpos que se atraem se encontram há faíscas de um fogo diferente emanando em suas proximidades. São gestos, palavras, olhares. Dois corpos que se atraem são duas almas que já se conhecem e que esperavam por aquele reencontro.

É uma energia fascinante. É um prazer diferente, mais intenso que o mais belo por do sol, que a mais linda flor do campo, que a mais forte queda d’água de uma cachoeira, que a maior onda do mar. É uma força que vem do fundo de nós.  E muitas vezes nosso corpo não compreende o que grita nossa alma.

Nossas almas precoces já se beijam quando os corpos ainda se olham, já transam enquanto os corpos se beijam e entram em sublime êxtase quando os corpos se encaixam. E que não se confunda isso não é aquilo que chamamos de amor, isso é algo focado em momentos, fatos e atos.

Em todo este breve texto fui incapaz de transformar em palavras o que é o encontro de dois corpos de almas destinadas. Mas me mostro ainda mais incapaz quando se trata de descrever o misto desse encontro com aquele sentimento que entendemos ser o amor.  Pois além de entregar o seu corpo ao toque intenso alheio, você permite que sua alma se entregue na busca de torna-se somente uma, junto àquela outra alma onde buscou intensamente ser um só corpo.


Quando sentir-se preparado para buscar corpos que se encaixem ao seu, lembre: No olhar já saberá a intensidade daquilo que te espera no toque. Por isso não torne sua busca vulgar levando-a aos extremos com todos os corpos que passarem por sua vida. Leve sua busca para frente somente quando forem seus olhos, as janelas para sua alma, a darem os primeiros passos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

No fim, um recomeço?

        Era um romance um tanto quanto diferente. Não se nega que havia amor em ambas às partes. Buscavam encontrar um no outras características que muitas vezes não encontravam em si próprios. Ou em muitas outras, características pertencentes somente a eles, àquilo que torna cada um diz nós algo próprio.

Ele não gostava do visível a todos. Seu sentimento era só pra ele. Muitas vezes nem mesmo para ela. Possuía uma dificuldade visível em expressar seu carinho e afeição. Criava formas de declarar afeto jamais visível por ela. Em alguns casos, até mesmo para ela se não o conhecesse tão bem, poderia ser interpretado como insulto.

Ela era uma tradicional romântica. Quase uma atriz dramática quando se trata da expressão dos sentimentos. Nesse estranho relacionamento, todas as luzes ofuscadas por ele, eram acesas em holofotes por ela.  Não bastava amar, o mundo precisava saber deste amor. Não bastava saber, ele precisava reafirmar para ela publicamente todos os dias.

É fácil entender porque não deu certo quando o orgulho é a característica mais forte de ambos.  Neste caso estava cheio de descasos quando se tratava de dar o braço a torcer. Era implausível para ambos abrirem mão de valores que acreditavam ser tão óbvios e jamais inquestionáveis ou não entendíveis para outros.Era uma verdadeira luta de valores. Foram analisados até mesmo pontos criticáveis na sociedade. Entretanto a questão ia além do ato de fidelidade, do ato de demonstração pública de afeto, dos atos sociais envolvidos em um relacionamento. Pairava-se no ar questões ligadas a formação de valores e o por que dos cumprimentos de regras sociais.

Não há como julga-la. Toda mulher entenderia que um homem que não a deixa segura sendo incapaz de cumprir compromissos, que exige que ela seja infiel para que ele possa fazer o mesmo, que não sente nenhum tipo de ciúmes e que não aceita assumir de forma pública o relacionamento, é um homem que tenta, no mínimo esconde-la. Um homem que não considera o que vivem juntos um relacionamento declarável ao público. Mas o mesmo se aplica a ele quanto o julgamento. Todo homem se esquivaria de uma mulher completamente insegura, de uma caixa postal lotada e de milhares de chamadas perdidas. Todo homem não conseguiria entender como uma mulher é completamente liberal, sendo até leviana, quando está solteira poderia ser tão romântica e delicada quando havia uma alteração em seu status de relacionamento.

Contudo, havia amor. E mais que amor, havia um desejo incontrolável. Ela era capaz de tirar de sua mente a racionalidade. Ele a deixava arrepiada somente com um beijo. Foram tantos anos de uma amizade misturada com sexo que ele sabia exatamente onde toca-la, ela sabia exatamente como excita-lo. Era uma guerra onde entravam ambos para perder no ápice do orgasmo. Pergunto-me às vezes, se não foi essa mistura de uma amizade de cúmplices, cheia de trocas de segredos e caricias que causou o sentimento.  Se não seria culpado o enlace do sexo e da amizade, do desejo e da necessidade do momento. Pergunto-me às vezes se está tentativa fracassada não foi um passo dado nessa história que me aparenta detalhosamente sem fim.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Língua

Sinto agora
Tua língua
A me percorrer

Despeja em minha boca o veneno
Desce por meu pescoço
Toca os meus seios
As mordidas aí também vem

Corro a minha língua
De forma suave beija
Seu pescoço
O peitoral suado
Mostrando a verdade
A que veio

Tateando de forma incerta
E tendo a resposta certa
O prazer

Madrugada

Não há momento em que se pode sentir variados mundos como na madrugada. Ela pode ser quente ou fria, calma ou agitada, escura ou levemente iluminada. Doce ou amarga, chuvosa ou estrelada, surreal ou realista. Pode transmitir um ou todos os sentimentos. Ou nenhum deles. É quem presencia a insônia agonizante ou o sono tranqüilo. E também a insônia tranqüila e o sono agonizante.

O som do momento mais intenso da noite é aquele que nos permitimos ouvir. A batida da balada, a melodia de uma canção, o riso falso ou verdadeiro, o choro emocionado, as palpitações do coração, os ruídos da natureza, os gemidos de amantes, as suplicas e rezas dos crentes. Todo som é acentuado no silencio da madrugada. Pode-se, diferente do que ocorre durante o dia, apreciar a sutileza de cada um.

Nas faces da madrugada ocorrem eclosões de sentimentos e ocultação de segredos. Quando se torna clara pela luz dos astros noturnos, faz-se a inspiração dos poetas eternamente apaixonados e guarda os momentos vividos por amantes sob o céu negro e brilhante.

Quando coberta de nuvens cinzas e pesadas inspira uns a desistirem da sua paz ou a continuarem a busca pela sua noite de luz. Guarda os delitos de criminosos de homens fora da lei que a usam como seu acobertamento.

Quando está simplesmente negra não inspira a ninguém e torna-se capaz de causar uma angústia no peito de quem a mira em busca de sentimentos. É o refúgio de quem perdeu a luz ou desistiu de buscá-la. Fica tão obscura que se torna incapaz de guardar segredos sem que eles se percam no seu infinito negro.

Cada elemento das variadas madrugadas guarda um grupo de seres que se encontram juntos por possuírem sentimentos e ganâncias semelhantes. Os apaixonados são as estrelas brilhantes das noites claras. Os de bom coração são os trovões que sempre anunciam a chegada dos furiosos raios. Os poderosos são as nuvens carregadas que possuem a tempestade como sua arma devastadora, como prova de seu poder. Os desconsolados são as chuvas que deslizam pela superfície da Terra como a lágrima que lhe desliza a face. Os ventos são aqueles que acabaram de obter sua liberdade e voam livres pelo mundo. E por fim encontramos a lua, que guarda variados tipos humanos nas suas variadas fases.

Na lua minguante temos os “patinhos feios”, aqueles que não sabem o quão belos se tornarão. Na nova se encontram os intelectuais com uma transparência e maravilhosa expressão. Na crescente temos aqueles que foram reduzidos a quase nada, mas tiveram a capacidade de aprender com isso e recomeçarem. E na lua cheia se instalam os sedutores, os enigmáticos. Aqueles que são capazes de se transfigurarem em prazer, os que emanam uma luz especial de dentro de si. Os habitantes mais belos encontrados em nosso planeta. Quando descobrimos onde estamos na madrugada é que descobrirmos quem realmente somos.

A madrugada ouve, mas não contesta; vê, mas não critica; demonstra sentimentos, mas não os sente; têm sonhos, mas não sonha. É o momento que mostra a inspiração daqueles que procuram ser por ela inspirados.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A estrada

Sigo uma trilha
Com lama
Buracos e pedras

Finjo andar em pétalas
Ou em nuvens
Mas lá no fundo de mim
Sei a realidade

Sei onde piso
E sei onde vivo

Mas a cada dia
Me dou uma chance
De sonhar
Que sou mais que isso

Que sou alguém

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Longe de mim

Mais um dos meus poeminhas
Longe de mim
Ser aquele que finge
Finge não julgar
Finge fazer
Ou finge ter

Sei que julgo
Que faço
Mas muitas vezes
Não faço

Não finjo ter
Admito não ter

Não ter rumo
Não ter destino
Não ter final