terça-feira, 1 de janeiro de 2013

No fim, um recomeço?

        Era um romance um tanto quanto diferente. Não se nega que havia amor em ambas às partes. Buscavam encontrar um no outras características que muitas vezes não encontravam em si próprios. Ou em muitas outras, características pertencentes somente a eles, àquilo que torna cada um diz nós algo próprio.

Ele não gostava do visível a todos. Seu sentimento era só pra ele. Muitas vezes nem mesmo para ela. Possuía uma dificuldade visível em expressar seu carinho e afeição. Criava formas de declarar afeto jamais visível por ela. Em alguns casos, até mesmo para ela se não o conhecesse tão bem, poderia ser interpretado como insulto.

Ela era uma tradicional romântica. Quase uma atriz dramática quando se trata da expressão dos sentimentos. Nesse estranho relacionamento, todas as luzes ofuscadas por ele, eram acesas em holofotes por ela.  Não bastava amar, o mundo precisava saber deste amor. Não bastava saber, ele precisava reafirmar para ela publicamente todos os dias.

É fácil entender porque não deu certo quando o orgulho é a característica mais forte de ambos.  Neste caso estava cheio de descasos quando se tratava de dar o braço a torcer. Era implausível para ambos abrirem mão de valores que acreditavam ser tão óbvios e jamais inquestionáveis ou não entendíveis para outros.Era uma verdadeira luta de valores. Foram analisados até mesmo pontos criticáveis na sociedade. Entretanto a questão ia além do ato de fidelidade, do ato de demonstração pública de afeto, dos atos sociais envolvidos em um relacionamento. Pairava-se no ar questões ligadas a formação de valores e o por que dos cumprimentos de regras sociais.

Não há como julga-la. Toda mulher entenderia que um homem que não a deixa segura sendo incapaz de cumprir compromissos, que exige que ela seja infiel para que ele possa fazer o mesmo, que não sente nenhum tipo de ciúmes e que não aceita assumir de forma pública o relacionamento, é um homem que tenta, no mínimo esconde-la. Um homem que não considera o que vivem juntos um relacionamento declarável ao público. Mas o mesmo se aplica a ele quanto o julgamento. Todo homem se esquivaria de uma mulher completamente insegura, de uma caixa postal lotada e de milhares de chamadas perdidas. Todo homem não conseguiria entender como uma mulher é completamente liberal, sendo até leviana, quando está solteira poderia ser tão romântica e delicada quando havia uma alteração em seu status de relacionamento.

Contudo, havia amor. E mais que amor, havia um desejo incontrolável. Ela era capaz de tirar de sua mente a racionalidade. Ele a deixava arrepiada somente com um beijo. Foram tantos anos de uma amizade misturada com sexo que ele sabia exatamente onde toca-la, ela sabia exatamente como excita-lo. Era uma guerra onde entravam ambos para perder no ápice do orgasmo. Pergunto-me às vezes, se não foi essa mistura de uma amizade de cúmplices, cheia de trocas de segredos e caricias que causou o sentimento.  Se não seria culpado o enlace do sexo e da amizade, do desejo e da necessidade do momento. Pergunto-me às vezes se está tentativa fracassada não foi um passo dado nessa história que me aparenta detalhosamente sem fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário