segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Rota de fuga

 

        01:57. A verdade é que pensava agora em tudo que foi vivido até então. Em tudo que se permitiu viver. Mas não havia amor. Se permitiu buscar por várias e várias vezes. Por inocência diversas vezes acreditou tê-lo vivido, porém era muito mais a vontade de ser do que realmente o amor.

        Ou será o amor esse sentimento que viveu? Será que é tão raso assim? Tão pouco assim? Tão vazio assim? Começava a crer naquele caminhar da vida, que os contos de fada foram os verdadeiros culpados. Poderiam alguém olhar para o outro da forma que um príncipe olha para uma princesa? Por que ela não poderia ter aquele brilho no olhar? Por que essa entrega não lhe foi permitida? Por que nenhum braço nunca foi refúgio?

        É chama, como disse Vinícius. Mas posto que é chama, aonde esteve a eternidade que nunca aconteceu nem mesmo enquanto durou? Ela só queria sentir a chama queimar, arder, inflar dentro de si, mesmo que por poucas horas, ela só queria sentir.

        Ela já o chamou de tantos nomes, já o procurou em tantos braços, já o buscou em tantos olhares. Mas nada a supria. Ninguém era ele, ninguém era o amor. E cada dia se torna mais distante a crença de que um dia alguém será.

        Era 02:05 e a conclusão de todos os devaneios de poucos minutos no intervalo que o sono sumiu, antes de mais uma vez pregar os olhos, ela concluiu que o amor fugia. Fechou os olhos, era hora de encontrar a rota de fuga, era hora de amar.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Um relato sobre uma relação abusiva - A carta de uma ex

Oi, 

Talvez você já tenha ouvido falar de mim. Uma versão completamente diferente do que te foi dito, mas sou a ex mulher do cara com que você está.  Diferente das informações que ele manipula e das coisas que ele diz para te fazer acreditar que eu não o superei e ainda o amo, gostaria de soubesse que fui eu quem terminei com a relação. Terminei pois não aguentava mais viver uma relação ABUSIVA.  Terminei pois não aguentava mais ser mal tratada e sofrer assédio psicológico do homem que deveria me apoiar. E talvez, tudo isso que eu vou te dizer agora, seja útil para ajuda-la a enxergar quando os sinais começarem.

Eu já estive no seu lugar. Ele manipulou minha mente no início para me fazer acreditar que à ex o procurava. Que a ex dele me odiava. Ele usou disso para que eu não expusesse nossa relação em redes sociais.  A desculpa era nos blindarmos contra a inveja que a ex ‘macumbeira’ jogaria em cima de nós. A verdade é que ele não queria me assumir para o mundo dele. A desculpa atual dele para você é que eu posso te achar mais facilmente com fotos, saber quem você é, te fazer mal. Acredite querida, é desculpa. E quando você cobrar por isso, uma foto ou outra vai aparecer e depois brevemente será excluída. Se resolver pagar para ver, observe.

 Quando está em um relacionamento, ele não usa redes sociais. A desculpa: não gosto de expor minha vida. A verdade: Não quero te dar satisfações. Mas acredite, quando você terminar, o facebook vai reaparecer. Fotos bebendo com os amigos aparecerão. Fotos que ele te julgava por existir nos seus perfis, estarão presentes no dele. Ele fez isso comigo, mas fez pior, usando nosso filho. Me acusou de expor em público a imagem do meu filho. Após nosso término surgiu um instagram com diversas fotos do nosso filho. Quando eu perguntei sobre, a resposta: “ eu não te devo satisfações”.
No começo do relacionamento ele te ama, ele te acha perfeita, ele diz que seu corpo foi o que um dia imaginou como perfeito. Ele quer conversar sobre todos os assuntos, ele quer fazer programas de lazer com você. Com o passar do tempo ele quer fazer programas sozinhos e te julga se você fizer o mesmo.  Ele sumirá por horas e não atenderá ao telefone. Ele dirá que está na academia quando está no motel com outra. Ele dirá que está trabalhando quando estiver no bar bebendo com os amigos e caçando novas presas. Talvez com você ele use a ‘desculpa’ do filho: levar filho no médico, passar o dia com o filho... Sinto te informar que ele não faz nada disso e esse paizão que ele demonstra ser é mais um dos personagens que ele interpreta muito bem.

Ele irá te julgar. Com quantos homens você ficou? Quantos namorados você teve? Com quantos homens você transou? Tudo isso será usado contra você. Ele foi capaz e ainda é, de usar uma situação na qual eu fui vítima de um abuso sexual para ME CULPAR. Ele usa até hoje dizendo que isso será uma vergonha para meu filho. Ele de forma machista e preconceituosa fará você se sentir vulgar, promiscua, uma vagabunda que não merece estar ao lado dele ( A não ser quando você está sendo a vagabunda na cama dele).

Todas as vezes que você cobrar dele, ele usará de um jogo frio para te manipular e te fazer se sentir culpada por querer muda-lo, culpada por julga-lo e burra por estar perdendo um homem ‘tão maravilhoso’ como ele por cobranças tão mesquinhas como um telefonema não atendido.  Ele te manipulará e te fará acreditar que você jamais será capaz de conseguir alguém melhor que ele. Ele te fará acreditar que ele é a melhor pessoa da sua vida. E quando você começar a abrir os olhos de que não é bem assim, o jogo muda. Ele se fará de culpado: ele vai chorar no seu colo e dizer que você não merece uma pessoa como ele, que ele é uma pessoa ruim, que ele faz mal a todos ao redor dele, que ele é incapaz de amar. Bem, esse é o verdadeiro ele. Porém a ideia é mais uma vez te fazer se sentir culpada por ter destruído um homem tão autossuficiente e faze-lo crer ser algo tão ruim. Ele prometerá mudar e mudará. Por algumas semanas, talvez alguns meses, até que algo o desperte pro ‘real’ de novo.  E quando você acreditar que enfim será feliz com o homem que você ama, o inferno começa novamente.

Na frente da família e amigos, ele será uma pessoa carinhosa, gentil e que te ama e quer te fazer sorrir. Aproveite esses momentos, eles não se repetem no íntimo da vida à dois. Talvez se um dia você tentar relatar essa relação abusiva que está sofrendo, as pessoas duvidem de você: é “impossível aquele cara ser assim como você está falando, eu conheço ele pô”. Isso te fará se sentir pior. Terá também aqueles que te alertarão da relação abusiva. E enquanto você não tiver coragem para acabar com ela, você se afastará desses anjos em forma de amigos. Afinal, que medo você terá de perde-lo e não suportaria também ser julgada.

E quando você achar tudo isso ruim, acredite, piora muito quando se tem um filho no meio: Ele é um péssimo pai. Ele é ausente e tenta me culpar por isso. Ele é indiferente ao filho e tenta fingir que não, colocando a culpa em mim. Ele não tem gastos mensais com o filho além do plano de saúde e quando eu peço qualquer coisa, ele reclama. Ele inferniza de tal forma que eu preço ajuda a qualquer estranho, mas não peço nada para ele. Muitas latas de leite, muitos remédios e muitas fraldas devo à amigos. Ele não pode depositar o dinheiro na minha conta para eu comprar pois não confia em mim, ele não pode trazer o produto por que não suporta olhar na minha cara... ele na verdade tem todas as desculpas para ser financeira e emocionalmente ausente na vida do filho. E um dia ele usará essas mesmas desculpas para manipular meu pequeno filho. MEU FILHO, que eu crio e cuido com a ajuda dos meus pais e dos padrinhos. E quando falo padrinhos, falo de meu irmão, padrinho de batismo, e a namorada, madrinha de consideração, pois a madrinha de batismo, escolhida por ele, também é ausente na vida do meu filho.


Eu demorei muito a me livrar disso. Demorei demais. Uma parte de mim morreu com isso. Espero que você acorde antes de sofrer metade do que sofri. Não desejo teu mal, este é somente um alerta, uma tentativa de te fazer não sofrer o que eu sofri. E se optar por continuar, só posso sentir pena de você, pois não adianta rezar para que ele mude, ele não quer mudar. Ele se acha o foda assim. E espero que um dia ele sofra por isso.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ato

Ele estava deitado com o telefone nas mãos. Lia seus e-mails em meio aos lençóis que ainda embolados, guardavam os ecos de gemidos, risadas e conversas. O sol do fim da tarde entrava lentamente pela sacada. No chão, a sombra dela faz com que os olhos saiam do celular e mirem a janela. Com as pernas nuas, uma blusa de cetim fino rosado, desenhando a silhueta. Os cabelos caiam pelas costas e era possível visualizar o semblante de paz brilhando diante do sol. Os olhos fechados e um meio sorriso acalmavam. E uma brisa leve bate em direção ao quarto levando as forças que faltavam a ele para levantar da cama. A brisa trazia o cheiro floral doce dos cabelos dela, era quase um guia para caminhar em direção àquele corpo.

Chegou à sacada e viu o mar, sentiu a brisa que o levantou bater mais forte. Encostou suavemente seu peitoral nas costas dela. Os quadris quase que se encaixavam em perfeita harmonia. Ele deslizava as mãos levemente pelas curvas deste corpo. Era visível o esforço feito para manter delicadeza no toque. O corpo dele gritava de desejo, seus olhos exalavam uma paixão arrasadora. A ressaca do mar era fraca diante da força dessa fome que vinha de sua alma.

Com um puxão forte pelo braço ele virou o corpo feminino de frente para o dele. Puxou suas pernas engatando-a em sua cintura e a levou até a cama. Jogando com ferocidade seu corpo sobre aqueles lençóis já cheios de histórias. O coração dela disparava e as batidas eram audíveis. Então a puxou delicadamente, deixando seu corpo levemente sentado, passando um dos braços por sua cintura e pondo a mão esquerda em sua nuca, por baixo dos finos fios de cabelo. Foi somente um segundo, um instante, mas que poderia ser subdividido. O momento em que os lábios se encontraram. O calor do corpo deixava a pele de ambos, avermelhada. O tremor dela já não existia mais e suas mãos seguravam fortemente o braço que a protegia.

Neste momento, no calor do beijo, onde os corpos quentes já se desejavam criando uma corrente invisível e impenetrável, ele deitou o corpo dela e beijava seu pescoço, abrindo levemente os botões de sua blusa com a mão e explorando cada vez mais o corpo dela com a boca. Beijou seus seios, mordendo levemente o bico, levando ela à um gemido que abria fim ao restante pudor ainda existente no ambiente.

Subitamente diante disso ela se revolta. Tira o corpo dele de cima do seu e o joga contra a cama. É sua vez de explorar o corpo do amado. Deslizando levemente sua língua pelo peitoral, barriga e enfim, alcançando com seus lábios o membro inferior genital que latejava esperando por aquelas caricias.

Não saberia dizer quais as emoções que estavam na face daquele homem, cuja excitação explodia além dos lábios que estavam em seu pênis. Ele queria mais, precisava de mais. E o corpo dela, que parecia já saber desse desejo, se moveu lentamente até que ela estivesse sentada em seu colo, pronta para criar o enlace perfeito. O homem levantou suas costas colando seu peitoral aos seios dela e enquanto se beijavam calorosamente os corpos iam se encaixando num leve cavalgar.

De leve tornando-se cada vez mais intenso pareciam que aqueles corpos se nutriam. Os lençóis se embolavam cada vez mais a cama, que se tornava pequena diante do desejo dos amantes. Os corpos começavam a suar e o quarto exalava prazer de todas as formas. Seu odor, seus sons e seu tom de fim de tarde, tudo era prazer dentre aquelas quatro paredes.


As palpitadas dos corações aumentaram. O cavalgar dos corpos era cada vez mais intenso. Os gemidos cada vez mais profundos e descontrolados. Os corpos já estavam colados um ao outro e as mãos dele apertavam com força a cintura dela, enquanto as mãos dela rasgavam com as unhas as costas dele. Não se sabia mais se gemiam de prazer, se se beijavam, se se mordiam, era tudo intenso, tudo forte demais. O corpo gritava em adrenalina numa explosão de prazer.

         Um segundo, uma cavalgada a mais, e o rosto dela mudava de semblante para um êxtase quase santo. O prazer lhe caia pela face divinamente enquanto gemidos altos e suaves saiam pelos lábios junto com juras de desejo intenso e eterno. Ele tinha a feição de relaxamento total e os músculos do corpo foram levemente se descontraindo. Enfim tinha jorrado dele todo o prazer contido naquele ato, naquele corpo, naquela mulher. Juntos, alcançaram um ápice de prazer além do conhecido orgasmo. Eram seres completos trocando as energias de seus corpos, fundindo-se, tornando-as una. Só.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Inesperadamente


O corpo se abre a um novo amor
 Fato esperado ocorre inesperadamente
 Me vejo perdidamente apaixonada

E aquelas palavras
Antes vazias
Tornam-se o todo

E aquela voz
Antes ignorada
Transforma-se

E ver
Falar
Ouvir

O Tudo
Muda


E o que antes nada era
passa a ser necessidade

Alimento para o corpo
Acalento para a alma

terça-feira, 11 de junho de 2013

Corpos

Para entender este curto ensaio, necessito que entendam primeiro minha visão. Pois sim, creio que o ato sexual e tudo que o compõe são troca de energia entre corpos.  Entretanto, nem todos os corpos são compatíveis. Há troca de energias entre corpos incompatíveis sim, mas nada se compara a encontrar aquele corpo que se atrai ao seu.

Antes mesmo do toque, do beijo, do sexo, quando corpos que se atraem se encontram há faíscas de um fogo diferente emanando em suas proximidades. São gestos, palavras, olhares. Dois corpos que se atraem são duas almas que já se conhecem e que esperavam por aquele reencontro.

É uma energia fascinante. É um prazer diferente, mais intenso que o mais belo por do sol, que a mais linda flor do campo, que a mais forte queda d’água de uma cachoeira, que a maior onda do mar. É uma força que vem do fundo de nós.  E muitas vezes nosso corpo não compreende o que grita nossa alma.

Nossas almas precoces já se beijam quando os corpos ainda se olham, já transam enquanto os corpos se beijam e entram em sublime êxtase quando os corpos se encaixam. E que não se confunda isso não é aquilo que chamamos de amor, isso é algo focado em momentos, fatos e atos.

Em todo este breve texto fui incapaz de transformar em palavras o que é o encontro de dois corpos de almas destinadas. Mas me mostro ainda mais incapaz quando se trata de descrever o misto desse encontro com aquele sentimento que entendemos ser o amor.  Pois além de entregar o seu corpo ao toque intenso alheio, você permite que sua alma se entregue na busca de torna-se somente uma, junto àquela outra alma onde buscou intensamente ser um só corpo.


Quando sentir-se preparado para buscar corpos que se encaixem ao seu, lembre: No olhar já saberá a intensidade daquilo que te espera no toque. Por isso não torne sua busca vulgar levando-a aos extremos com todos os corpos que passarem por sua vida. Leve sua busca para frente somente quando forem seus olhos, as janelas para sua alma, a darem os primeiros passos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

No fim, um recomeço?

        Era um romance um tanto quanto diferente. Não se nega que havia amor em ambas às partes. Buscavam encontrar um no outras características que muitas vezes não encontravam em si próprios. Ou em muitas outras, características pertencentes somente a eles, àquilo que torna cada um diz nós algo próprio.

Ele não gostava do visível a todos. Seu sentimento era só pra ele. Muitas vezes nem mesmo para ela. Possuía uma dificuldade visível em expressar seu carinho e afeição. Criava formas de declarar afeto jamais visível por ela. Em alguns casos, até mesmo para ela se não o conhecesse tão bem, poderia ser interpretado como insulto.

Ela era uma tradicional romântica. Quase uma atriz dramática quando se trata da expressão dos sentimentos. Nesse estranho relacionamento, todas as luzes ofuscadas por ele, eram acesas em holofotes por ela.  Não bastava amar, o mundo precisava saber deste amor. Não bastava saber, ele precisava reafirmar para ela publicamente todos os dias.

É fácil entender porque não deu certo quando o orgulho é a característica mais forte de ambos.  Neste caso estava cheio de descasos quando se tratava de dar o braço a torcer. Era implausível para ambos abrirem mão de valores que acreditavam ser tão óbvios e jamais inquestionáveis ou não entendíveis para outros.Era uma verdadeira luta de valores. Foram analisados até mesmo pontos criticáveis na sociedade. Entretanto a questão ia além do ato de fidelidade, do ato de demonstração pública de afeto, dos atos sociais envolvidos em um relacionamento. Pairava-se no ar questões ligadas a formação de valores e o por que dos cumprimentos de regras sociais.

Não há como julga-la. Toda mulher entenderia que um homem que não a deixa segura sendo incapaz de cumprir compromissos, que exige que ela seja infiel para que ele possa fazer o mesmo, que não sente nenhum tipo de ciúmes e que não aceita assumir de forma pública o relacionamento, é um homem que tenta, no mínimo esconde-la. Um homem que não considera o que vivem juntos um relacionamento declarável ao público. Mas o mesmo se aplica a ele quanto o julgamento. Todo homem se esquivaria de uma mulher completamente insegura, de uma caixa postal lotada e de milhares de chamadas perdidas. Todo homem não conseguiria entender como uma mulher é completamente liberal, sendo até leviana, quando está solteira poderia ser tão romântica e delicada quando havia uma alteração em seu status de relacionamento.

Contudo, havia amor. E mais que amor, havia um desejo incontrolável. Ela era capaz de tirar de sua mente a racionalidade. Ele a deixava arrepiada somente com um beijo. Foram tantos anos de uma amizade misturada com sexo que ele sabia exatamente onde toca-la, ela sabia exatamente como excita-lo. Era uma guerra onde entravam ambos para perder no ápice do orgasmo. Pergunto-me às vezes, se não foi essa mistura de uma amizade de cúmplices, cheia de trocas de segredos e caricias que causou o sentimento.  Se não seria culpado o enlace do sexo e da amizade, do desejo e da necessidade do momento. Pergunto-me às vezes se está tentativa fracassada não foi um passo dado nessa história que me aparenta detalhosamente sem fim.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Língua

Sinto agora
Tua língua
A me percorrer

Despeja em minha boca o veneno
Desce por meu pescoço
Toca os meus seios
As mordidas aí também vem

Corro a minha língua
De forma suave beija
Seu pescoço
O peitoral suado
Mostrando a verdade
A que veio

Tateando de forma incerta
E tendo a resposta certa
O prazer