01:57. A verdade é que pensava agora em tudo que foi vivido
até então. Em tudo que se permitiu viver. Mas não havia amor. Se permitiu
buscar por várias e várias vezes. Por inocência diversas vezes acreditou tê-lo
vivido, porém era muito mais a vontade de ser do que realmente o amor.
Ou será o amor esse sentimento que viveu? Será que é tão
raso assim? Tão pouco assim? Tão vazio assim? Começava a crer naquele caminhar
da vida, que os contos de fada foram os verdadeiros culpados. Poderiam alguém
olhar para o outro da forma que um príncipe olha para uma princesa? Por que ela
não poderia ter aquele brilho no olhar? Por que essa entrega não lhe foi
permitida? Por que nenhum braço nunca foi refúgio?
É chama, como disse Vinícius. Mas posto que é chama, aonde
esteve a eternidade que nunca aconteceu nem mesmo enquanto durou? Ela só queria
sentir a chama queimar, arder, inflar dentro de si, mesmo que por poucas horas,
ela só queria sentir.
Ela já o chamou de tantos nomes, já o procurou em tantos
braços, já o buscou em tantos olhares. Mas nada a supria. Ninguém era ele,
ninguém era o amor. E cada dia se torna mais distante a crença de que um dia
alguém será.
Era 02:05 e a conclusão de todos os devaneios de poucos minutos no intervalo
que o sono sumiu, antes de mais uma vez pregar os olhos, ela concluiu que o
amor fugia. Fechou os olhos, era hora de encontrar a rota de fuga, era hora de
amar.
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