segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Rota de fuga

 

        01:57. A verdade é que pensava agora em tudo que foi vivido até então. Em tudo que se permitiu viver. Mas não havia amor. Se permitiu buscar por várias e várias vezes. Por inocência diversas vezes acreditou tê-lo vivido, porém era muito mais a vontade de ser do que realmente o amor.

        Ou será o amor esse sentimento que viveu? Será que é tão raso assim? Tão pouco assim? Tão vazio assim? Começava a crer naquele caminhar da vida, que os contos de fada foram os verdadeiros culpados. Poderiam alguém olhar para o outro da forma que um príncipe olha para uma princesa? Por que ela não poderia ter aquele brilho no olhar? Por que essa entrega não lhe foi permitida? Por que nenhum braço nunca foi refúgio?

        É chama, como disse Vinícius. Mas posto que é chama, aonde esteve a eternidade que nunca aconteceu nem mesmo enquanto durou? Ela só queria sentir a chama queimar, arder, inflar dentro de si, mesmo que por poucas horas, ela só queria sentir.

        Ela já o chamou de tantos nomes, já o procurou em tantos braços, já o buscou em tantos olhares. Mas nada a supria. Ninguém era ele, ninguém era o amor. E cada dia se torna mais distante a crença de que um dia alguém será.

        Era 02:05 e a conclusão de todos os devaneios de poucos minutos no intervalo que o sono sumiu, antes de mais uma vez pregar os olhos, ela concluiu que o amor fugia. Fechou os olhos, era hora de encontrar a rota de fuga, era hora de amar.

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