quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ato

Ele estava deitado com o telefone nas mãos. Lia seus e-mails em meio aos lençóis que ainda embolados, guardavam os ecos de gemidos, risadas e conversas. O sol do fim da tarde entrava lentamente pela sacada. No chão, a sombra dela faz com que os olhos saiam do celular e mirem a janela. Com as pernas nuas, uma blusa de cetim fino rosado, desenhando a silhueta. Os cabelos caiam pelas costas e era possível visualizar o semblante de paz brilhando diante do sol. Os olhos fechados e um meio sorriso acalmavam. E uma brisa leve bate em direção ao quarto levando as forças que faltavam a ele para levantar da cama. A brisa trazia o cheiro floral doce dos cabelos dela, era quase um guia para caminhar em direção àquele corpo.

Chegou à sacada e viu o mar, sentiu a brisa que o levantou bater mais forte. Encostou suavemente seu peitoral nas costas dela. Os quadris quase que se encaixavam em perfeita harmonia. Ele deslizava as mãos levemente pelas curvas deste corpo. Era visível o esforço feito para manter delicadeza no toque. O corpo dele gritava de desejo, seus olhos exalavam uma paixão arrasadora. A ressaca do mar era fraca diante da força dessa fome que vinha de sua alma.

Com um puxão forte pelo braço ele virou o corpo feminino de frente para o dele. Puxou suas pernas engatando-a em sua cintura e a levou até a cama. Jogando com ferocidade seu corpo sobre aqueles lençóis já cheios de histórias. O coração dela disparava e as batidas eram audíveis. Então a puxou delicadamente, deixando seu corpo levemente sentado, passando um dos braços por sua cintura e pondo a mão esquerda em sua nuca, por baixo dos finos fios de cabelo. Foi somente um segundo, um instante, mas que poderia ser subdividido. O momento em que os lábios se encontraram. O calor do corpo deixava a pele de ambos, avermelhada. O tremor dela já não existia mais e suas mãos seguravam fortemente o braço que a protegia.

Neste momento, no calor do beijo, onde os corpos quentes já se desejavam criando uma corrente invisível e impenetrável, ele deitou o corpo dela e beijava seu pescoço, abrindo levemente os botões de sua blusa com a mão e explorando cada vez mais o corpo dela com a boca. Beijou seus seios, mordendo levemente o bico, levando ela à um gemido que abria fim ao restante pudor ainda existente no ambiente.

Subitamente diante disso ela se revolta. Tira o corpo dele de cima do seu e o joga contra a cama. É sua vez de explorar o corpo do amado. Deslizando levemente sua língua pelo peitoral, barriga e enfim, alcançando com seus lábios o membro inferior genital que latejava esperando por aquelas caricias.

Não saberia dizer quais as emoções que estavam na face daquele homem, cuja excitação explodia além dos lábios que estavam em seu pênis. Ele queria mais, precisava de mais. E o corpo dela, que parecia já saber desse desejo, se moveu lentamente até que ela estivesse sentada em seu colo, pronta para criar o enlace perfeito. O homem levantou suas costas colando seu peitoral aos seios dela e enquanto se beijavam calorosamente os corpos iam se encaixando num leve cavalgar.

De leve tornando-se cada vez mais intenso pareciam que aqueles corpos se nutriam. Os lençóis se embolavam cada vez mais a cama, que se tornava pequena diante do desejo dos amantes. Os corpos começavam a suar e o quarto exalava prazer de todas as formas. Seu odor, seus sons e seu tom de fim de tarde, tudo era prazer dentre aquelas quatro paredes.


As palpitadas dos corações aumentaram. O cavalgar dos corpos era cada vez mais intenso. Os gemidos cada vez mais profundos e descontrolados. Os corpos já estavam colados um ao outro e as mãos dele apertavam com força a cintura dela, enquanto as mãos dela rasgavam com as unhas as costas dele. Não se sabia mais se gemiam de prazer, se se beijavam, se se mordiam, era tudo intenso, tudo forte demais. O corpo gritava em adrenalina numa explosão de prazer.

         Um segundo, uma cavalgada a mais, e o rosto dela mudava de semblante para um êxtase quase santo. O prazer lhe caia pela face divinamente enquanto gemidos altos e suaves saiam pelos lábios junto com juras de desejo intenso e eterno. Ele tinha a feição de relaxamento total e os músculos do corpo foram levemente se descontraindo. Enfim tinha jorrado dele todo o prazer contido naquele ato, naquele corpo, naquela mulher. Juntos, alcançaram um ápice de prazer além do conhecido orgasmo. Eram seres completos trocando as energias de seus corpos, fundindo-se, tornando-as una. Só.