Era
um romance um tanto quanto diferente. Não se nega que havia amor em ambas às
partes. Buscavam encontrar um no outras características que muitas vezes não
encontravam em si próprios. Ou em muitas outras, características pertencentes
somente a eles, àquilo que torna cada um diz nós algo próprio.
Ele
não gostava do visível a todos. Seu sentimento era só pra ele. Muitas vezes nem
mesmo para ela. Possuía uma dificuldade visível em expressar seu carinho e
afeição. Criava formas de declarar afeto jamais visível por ela. Em alguns
casos, até mesmo para ela se não o conhecesse tão bem, poderia ser interpretado
como insulto.
Ela
era uma tradicional romântica. Quase uma atriz dramática quando se trata da
expressão dos sentimentos. Nesse estranho relacionamento, todas as luzes
ofuscadas por ele, eram acesas em holofotes por ela. Não bastava amar, o mundo precisava saber
deste amor. Não bastava saber, ele precisava reafirmar para ela publicamente
todos os dias.
É
fácil entender porque não deu certo quando o orgulho é a característica mais
forte de ambos. Neste caso estava cheio
de descasos quando se tratava de dar o braço a torcer. Era implausível para
ambos abrirem mão de valores que acreditavam ser tão óbvios e jamais
inquestionáveis ou não entendíveis para outros.Era uma verdadeira luta de
valores. Foram analisados até mesmo pontos criticáveis na sociedade. Entretanto
a questão ia além do ato de fidelidade, do ato de demonstração pública de
afeto, dos atos sociais envolvidos em um relacionamento. Pairava-se no ar
questões ligadas a formação de valores e o por que dos cumprimentos de regras
sociais.
Não
há como julga-la. Toda mulher entenderia que um homem que não a deixa segura
sendo incapaz de cumprir compromissos, que exige que ela seja infiel para que
ele possa fazer o mesmo, que não sente nenhum tipo de ciúmes e que não aceita
assumir de forma pública o relacionamento, é um homem que tenta, no mínimo
esconde-la. Um homem que não considera o que vivem juntos um relacionamento
declarável ao público. Mas o mesmo se aplica a ele quanto o julgamento. Todo
homem se esquivaria de uma mulher completamente insegura, de uma caixa postal
lotada e de milhares de chamadas perdidas. Todo homem não conseguiria entender
como uma mulher é completamente liberal, sendo até leviana, quando está
solteira poderia ser tão romântica e delicada quando havia uma alteração em seu
status de relacionamento.
Contudo, havia amor. E
mais que amor, havia um desejo incontrolável. Ela era capaz de tirar de sua
mente a racionalidade. Ele a deixava arrepiada somente com um beijo. Foram
tantos anos de uma amizade misturada com sexo que ele sabia exatamente onde
toca-la, ela sabia exatamente como excita-lo. Era uma guerra onde entravam
ambos para perder no ápice do orgasmo. Pergunto-me às vezes, se não foi essa
mistura de uma amizade de cúmplices, cheia de trocas de segredos e caricias que
causou o sentimento. Se não seria
culpado o enlace do sexo e da amizade, do desejo e da necessidade do momento.
Pergunto-me às vezes se está tentativa fracassada não foi um passo dado nessa
história que me aparenta detalhosamente sem fim.