quarta-feira, 18 de maio de 2011

Língua

Sinto agora
Tua língua
A me percorrer

Despeja em minha boca o veneno
Desce por meu pescoço
Toca os meus seios
As mordidas aí também vem

Corro a minha língua
De forma suave beija
Seu pescoço
O peitoral suado
Mostrando a verdade
A que veio

Tateando de forma incerta
E tendo a resposta certa
O prazer

Madrugada

Não há momento em que se pode sentir variados mundos como na madrugada. Ela pode ser quente ou fria, calma ou agitada, escura ou levemente iluminada. Doce ou amarga, chuvosa ou estrelada, surreal ou realista. Pode transmitir um ou todos os sentimentos. Ou nenhum deles. É quem presencia a insônia agonizante ou o sono tranqüilo. E também a insônia tranqüila e o sono agonizante.

O som do momento mais intenso da noite é aquele que nos permitimos ouvir. A batida da balada, a melodia de uma canção, o riso falso ou verdadeiro, o choro emocionado, as palpitações do coração, os ruídos da natureza, os gemidos de amantes, as suplicas e rezas dos crentes. Todo som é acentuado no silencio da madrugada. Pode-se, diferente do que ocorre durante o dia, apreciar a sutileza de cada um.

Nas faces da madrugada ocorrem eclosões de sentimentos e ocultação de segredos. Quando se torna clara pela luz dos astros noturnos, faz-se a inspiração dos poetas eternamente apaixonados e guarda os momentos vividos por amantes sob o céu negro e brilhante.

Quando coberta de nuvens cinzas e pesadas inspira uns a desistirem da sua paz ou a continuarem a busca pela sua noite de luz. Guarda os delitos de criminosos de homens fora da lei que a usam como seu acobertamento.

Quando está simplesmente negra não inspira a ninguém e torna-se capaz de causar uma angústia no peito de quem a mira em busca de sentimentos. É o refúgio de quem perdeu a luz ou desistiu de buscá-la. Fica tão obscura que se torna incapaz de guardar segredos sem que eles se percam no seu infinito negro.

Cada elemento das variadas madrugadas guarda um grupo de seres que se encontram juntos por possuírem sentimentos e ganâncias semelhantes. Os apaixonados são as estrelas brilhantes das noites claras. Os de bom coração são os trovões que sempre anunciam a chegada dos furiosos raios. Os poderosos são as nuvens carregadas que possuem a tempestade como sua arma devastadora, como prova de seu poder. Os desconsolados são as chuvas que deslizam pela superfície da Terra como a lágrima que lhe desliza a face. Os ventos são aqueles que acabaram de obter sua liberdade e voam livres pelo mundo. E por fim encontramos a lua, que guarda variados tipos humanos nas suas variadas fases.

Na lua minguante temos os “patinhos feios”, aqueles que não sabem o quão belos se tornarão. Na nova se encontram os intelectuais com uma transparência e maravilhosa expressão. Na crescente temos aqueles que foram reduzidos a quase nada, mas tiveram a capacidade de aprender com isso e recomeçarem. E na lua cheia se instalam os sedutores, os enigmáticos. Aqueles que são capazes de se transfigurarem em prazer, os que emanam uma luz especial de dentro de si. Os habitantes mais belos encontrados em nosso planeta. Quando descobrimos onde estamos na madrugada é que descobrirmos quem realmente somos.

A madrugada ouve, mas não contesta; vê, mas não critica; demonstra sentimentos, mas não os sente; têm sonhos, mas não sonha. É o momento que mostra a inspiração daqueles que procuram ser por ela inspirados.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A estrada

Sigo uma trilha
Com lama
Buracos e pedras

Finjo andar em pétalas
Ou em nuvens
Mas lá no fundo de mim
Sei a realidade

Sei onde piso
E sei onde vivo

Mas a cada dia
Me dou uma chance
De sonhar
Que sou mais que isso

Que sou alguém

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Longe de mim

Mais um dos meus poeminhas
Longe de mim
Ser aquele que finge
Finge não julgar
Finge fazer
Ou finge ter

Sei que julgo
Que faço
Mas muitas vezes
Não faço

Não finjo ter
Admito não ter

Não ter rumo
Não ter destino
Não ter final